Retorno ao lar

O retorno ao lar

Manhã de domingo clara e agradável.  Mas o céu azul límpido e o sol já um pouco quente são indicadores de que  o tempo vai esquentar e muito...

Encontro-me no aeroporto de Campinas. Dentro em pouco estarei tomando o vôo para Marília.  É sempre bom regressar. Mas a saudade dos que deixei para trás também me acompanha.

Quando saí, Lucas ainda dormia. Mas na véspera o abracei apertado como se com esse gesto  o infiltrasse mais para dentro de mim ou deixasse nele impregnado meu cheiro, o calor de meus afagos. Intensificasse  os laços familiares que nos une. Ainda trago comigo seu cheirinho de bebê, seu sorriso continua vivo e nítido na memória, assim como também seus choros e peraltices.

 Fecho os olhos e recordo seus bracinhos roliços se jogando em minha direção, seus olhinhos vivazes... Seu sorriso maroto... Seus gritinhos de insatisfação.  Impossível não se apaixonar!

Por quase dois meses mergulhei completamente num mundo de fraldas, mamadeiras, papinhas, passeiozinhos no parque... A cada dia uma nova conquista, uma nova descoberta.

Os bebês na sua inocência pueril muito nos ensinam. A paciência acaba sendo lapidada ao extremo, somos forçados a interpretar cada movimento, cada choro, cada riso. Abdicamos de nossos desejos e comodidade em favor deles. Desenvolvemos a atenção e captamos o menor barulho vindo do seu quartinho.  Tudo em favor do principezinho que deve reinar  majestosamente.

 E assim foram meus dias com Lucas. Dias de alegria mesclada com preocupações. Porque os bebês são assim: ora nos deixam otimistas e felizes, ora nos preocupam.

Difícil interromper este ciclo de amor concretizado ali com minha presença. Mas era hora de partir. A saudade de casa e dos que ficaram também tem seu peso.

Incluo nesta saudade “dos que ficaram” também meu amigos virtuais  que me acompanham há tanto tempo. Nossa relação já está tão próxima que vai além de uma tela de computador. Já se transformou em um afeto verdadeiro e duradouro.

Estou ansiosa por passear por essas ruelas virtuais, como se caminhando pela minha rua de repente me deparasse com rosto conhecido e após os cumprimentos efusivos sentaríamos  num banco da praça e passaríamos horas contando as novidades.

É bem verdade que a internet nos favorece a comunicação seja qual for o lugar que estivermos.  Entretanto, eu decidi por não me auto sabotar. Durante esse período em que estive em Goiânia, nada de computador... Telefone somente para manter contato com a família. Apenas o noticiário da TV.

Desculpem-me pela ausência demorada. Mas eu estava precisando desse “intervalo” de tempo só para mim. Mudança de ares... Mudança de espaço físico... Mudança de convívio...

Goiânia com suas praças e parques atraentes, suas feiras inspiradoras, seu verde energizante, suas pizzarias e shoppings convidativos, a princípio atrai. Mas depois, como um copo muito cheio acaba por transbordar.

Nascida e criada em pequena cidade do interior, impossível não sentir vontade de retornar à tranqüilidade e mesmice de sempre.

Quero mais é abrir a porta e dar com a rua como extensão de meu quintal. Caminhar devagar sem atropelos, sem agitação. Distribuir cumprimentos, decifrar cada rosto, cada olhar, cada sorriso...

E se por acaso alguém perguntar como é que se pode sentir prazer em uma vida tão pequena, eu respondo como no belo texto de Marina Colasanti: ”A gente se acostuma...”

14/12/2011                     15h49min